A adoção deinteligência artificial (IA) no setor de viagens está avançando, mas ainda enfrenta desafios estruturais que impedem muitas empresas de atingir todo o seu potencial. Um modelo dividido em três fases ajuda a explicar por que parte da indústria ainda encontra dificuldades para escalar suas iniciativas tecnológicas.
Para Ragnar Fjölnisson, a inteligência artificial não apenas automatiza tarefas, mas também tem o potencial de revelar falhas em decisões baseadas mais em intuição do que em dados, redefinindo a forma como empresas operam e planejam suas estratégias.
Fase 1: IA assistiva impulsiona produtividade inicial
A primeira etapa da adoção de IA é marcada pelo uso de ferramentas como ChatGPT como assistentes digitais. Nessa fase, equipes utilizam a tecnologia para gerar e-mails personalizados, descrições de produtos e responder dúvidas de clientes, além de automatizar tarefas repetitivas.
Empresas como a Railbookers já utilizam IA para analisar interações com clientes e identificar padrões de demanda, transformando dados em insights para áreas como marketing e treinamento.
Apesar dos ganhos iniciais, essa fase pode criar uma falsa sensação de transformação, já que o uso pontual da tecnologia não altera profundamente a estrutura operacional das empresas.
Fase 2: IA integrada enfrenta barreiras tecnológicas
Na segunda fase, a IA passa a ser incorporada aos sistemas internos, atuando diretamente nos fluxos de trabalho. É nesse estágio que surgem ganhos mais robustos de produtividade, com aplicações como:
Empresas como a Virgin Voyages, em parceria com a Google Cloud, já utilizam agentes de IA para automatizar campanhas de marketing. Já a Tour Partner Group desenvolveu soluções capazes de processar e responder e-mails de fornecedores em segundos.
A etapa mais avançada da adoção de IA vai além da eficiência operacional e passa a impactar diretamente a tomada de decisão estratégica.
Nesse cenário, a tecnologia é capaz de cruzar dados de múltiplas fontes, identificar inconsistências e até desafiar suposições feitas por gestores, atuando como um verdadeiro “parceiro de debate” para decisões empresariais.
No entanto, especialistas apontam que poucas empresas chegaram a esse nível. Isso porque a maioria ainda depende de sistemas de business intelligence fragmentados, com dados desconectados e pouco confiáveis.
Infraestrutura é chave para o futuro da IA no turismo
O principal desafio, segundo Fjölnisson, está na base tecnológica das empresas. Implementar IA sobre sistemas antigos e fragmentados limita o potencial da tecnologia, já que ela só consegue operar com os dados e estruturas disponíveis.
As empresas que devem liderar o setor nos próximos anos serão aquelas capazes de reconstruir suas plataformas com dados unificados, workflows integrados e arquitetura preparada para IA desde o início.
A conclusão dos especialistas é direta: mais do que adotar novas ferramentas, o futuro do turismo passa por uma revisão profunda da infraestrutura tecnológica, permitindo que a inteligência artificial atue de forma estratégica e em escala.
Medição agregada e anônima de audiência é feita por legítimo interesse (LGPD art. 7º IX). Para personalização e publicidade direcionada, precisamos da sua autorização. Mais detalhes na Política de Privacidade.