Mesmo com a ascensão da IA, softwares de gestão hoteleira ganham relevância
Nos últimos meses, avanços em inteligência artificial (IA) reacenderam um debate entre investidores sobre o futuro dos softwares tradicionais. A

- Avanços em inteligência artificial levantaram dúvidas sobre o futuro de softwares tradicionais.
- No setor hoteleiro, porém, sistemas de gestão continuam essenciais para operações financeiras e reservas.
- Plataformas processam pagamentos, preços, impostos e disponibilidade de quartos, tornando-se centrais para o fluxo de receita.
- Em um setor ainda pouco digitalizado, a IA tende a acelerar a modernização dos sistemas, não substituí-los.
Nos últimos meses, avanços em inteligência artificial (IA) reacenderam um debate entre investidores sobre o futuro dos softwares tradicionais. A preocupação é que assistentes de IA capazes de executar tarefas diretamente a partir de comandos em linguagem natural possam tornar interfaces, dashboards e aplicativos menos necessários.
No entanto, no setor de hospitalidade, essa lógica pode não se aplicar da mesma forma. Segundo a coluna de Jordan Hollander, cofundador do HotelTechReport.com, publicada no portal PhocusWire, a estrutura operacional dos hotéis, o modelo de monetização dos softwares e o estágio de digitalização da indústria indicam que os sistemas podem continuar mais importantes com a adoção da IA.
Sistemas controlam o núcleo financeiro do hotel
Um dos pilares tecnológicos da hotelaria é o Property Management System (PMS), responsável por controlar operações essenciais do estabelecimento.
Essas plataformas gerenciam desde disponibilidade de quartos e definição de preços até aplicação de descontos, cálculo de impostos, processamento de pagamentos e sincronização de reservas com plataformas de viagem como Booking.com e Expedia.
Qualquer falha nesses sistemas pode gerar consequências imediatas. Erros de disponibilidade podem causar overbooking, enquanto cálculos incorretos de impostos podem resultar em penalidades. Falhas no processamento de pagamentos, por sua vez, significam perda direta de receita.
Embora a IA possa ajudar com análises — como sugerir aumento de preços em fins de semana movimentados ou identificar atividades de reembolso incomuns —, ela ainda precisa operar dentro dos sistemas que registram e movimentam o dinheiro.
Mesmo que gestores passem a interagir com essas plataformas por meio de chat em vez de painéis tradicionais, o software que mantém os registros financeiros e as regras de operação continua indispensável.
Modelo de receita diferente de outros softwares
Outro fator que diferencia o setor é o modelo de monetização das plataformas tecnológicas.
Grande parte dos softwares corporativos cobra licenças por usuário. Nesse cenário, se a automação reduz o número de funcionários, a receita do fornecedor também diminui.
No caso da hotelaria, a lógica costuma ser outra. Os sistemas geralmente são cobrados por quarto, propriedade ou volume de transações. Assim, um hotel com 300 quartos paga pelo gerenciamento dessa capacidade independentemente do número de funcionários na recepção.
Um exemplo desse modelo é a plataforma Mews. Em 2025, a empresa processou aproximadamente US$ 19,7 bilhões em volume de transações, além de registrar mais de 42 milhões de check-ins de hóspedes, com crescimento de 55% no lucro bruto do SaaS.


