Com alta de 13,8%, Brasil lidera crescimento em viagens corporativas; gastos globais devem chegar a US$ 1,71 trilhão em 2026
Gastos sobem 7,2%, mas o volume avança apenas 1,3%, sinal de que a alta de preços puxa o setor mais do que a demanda.

Os gastos globais com viagens corporativas devem atingir um recorde de US$ 1,71 trilhão em 2026, com 1,84 bilhão de deslocamentos a negócios no mundo. Os números são do Business Travel Index (BTI) 2026, divulgado nesta segunda-feira (3) pela Global Business Travel Association (GBTA) durante a convenção anual da entidade, em Chicago.

O crescimento projetado de 7,2% nos gastos convive com um avanço de apenas 1,3% no volume, cerca de 25 milhões de viagens a mais que em 2025. A diferença entre os dois indicadores é o dado central do relatório e reflete o peso dos custos de transporte e de viagem sobre a demanda. O Brasil aparece com a maior alta entre os 15 maiores mercados, 13,8%.
Em sua 18ª edição, o BTI cobre 72 países e 44 setores e incorpora respostas de mais de 4.700 viajantes corporativos em 66 mercados. A novidade é a inclusão do volume global de viagens, indicador que a GBTA passou a calcular para 2025 e 2026 e que, segundo a entidade, acrescenta perspectiva sobre o efeito da alta de preços.
US$ 2 trilhões ficam para 2030
A projeção de US$ 2 trilhões em gastos globais foi empurrada de 2029 para 2030, resultado da moderação nas taxas de crescimento previstas a partir de 2027. A GBTA mantém a avaliação de que o setor segue sustentado por investimento empresarial contínuo e pela expansão das atividades comerciais internacionais.

Em 2025, os gastos cresceram 8,4%, para US$ 1,59 trilhão, acima da projeção anterior de 6,6%, impulsionados por atividade econômica mais forte que o esperado, arrefecimento das tensões comerciais no segundo semestre e efeitos cambiais. O volume ficou em 1,82 bilhão de viagens, com Ásia e Europa perto ou acima de 600 milhões de deslocamentos cada.
"A grande história deste ano é que as empresas não abandonaram as viagens, mas estão cada vez mais seletivas e focadas em produtividade", afirmou Suzanne Neufang, CEO da GBTA, em comunicado. "Viajar continua essencial, e as empresas estão sendo criteriosamente disciplinadas sobre onde, como e por que viajam."
O relatório aponta quatro vetores para 2026: crescimento econômico resiliente, investimento empresarial forte, incerteza geopolítica elevada e custos de transporte pressionados. A projeção trabalha com desaceleração do PIB global de cerca de 3,3% em 2025 para 2,9% em 2026, com riscos concentrados em novas tensões geopolíticas, rupturas comerciais e desaceleração do investimento empresarial mais forte que o esperado.
O conflito envolvendo o Irã e o Oriente Médio no início do ano desorganizou aviação, comércio e mercados de energia, alongou tempos de viagem, deslocou pontos de conexão de longo curso e elevou tarifas aéreas. O BTI parte da hipótese de que as condições se estabilizam e as malhas aéreas se normalizam gradualmente no segundo semestre.
Um driver novo entrou na conta. Inteligência artificial e investimento em tecnologia despontam como motores relevantes de viagem corporativa, sobretudo na América do Norte e na Ásia-Pacífico, com projetos de infraestrutura digital, data centers e implantação de tecnologia empresarial alimentando demanda por viagens de projeto, engajamento com clientes e colaboração entre países.
Brasil lidera entre os grandes mercados
Os 15 maiores mercados devem concentrar US$ 1,43 trilhão, ou 84% do total projetado para 2026. Dentro desse grupo, o Brasil registra o maior crescimento, com 13,8%, à frente de Austrália (11,5%), Coreia do Sul (11,3%), Turquia (10,9%) e Japão (10%). A GBTA associa o desempenho brasileiro aos preços mais altos de energia. No recorte regional, as Américas se beneficiam de crescimento econômico mais forte, com investimento em IA e tecnologia sustentando a perspectiva dos Estados Unidos e maior estabilidade na Argentina ajudando a puxar a América Latina.
O contraponto vem do Oriente Médio, com queda projetada de 12,3% no volume por efeito dos conflitos regionais. Ásia e Europa enfrentam pressão das perturbações no tráfego aéreo e nos mercados de energia.
Na quebra setorial, os maiores crescimentos até 2030 estão em Mineração e Extração (CAGR de 6,6%), Saúde Humana e Assistência Social (6,3%) e Educação (6,3%), segmentos que somam apenas 1,6% do gasto total em 2026. O peso está do outro lado: Utilidades (4,1%) e Manufatura (4,4%) crescem mais devagar, mas respondem por 42% dos gastos corporativos com viagens hoje.
Como o viajante corporativo se comporta
A pesquisa aplicada em maio de 2026 mostra que 74% dos viajantes corporativos viajam tanto quanto ou mais do que em anos anteriores, com a Ásia-Pacífico liderando o indicador (80%). Na média global, 28% esperam viajar mais em 2026 do que em 2025, percentual que sobe para 36% entre viajantes do Oriente Médio e África. A frequência individual segue o padrão histórico: 41% fizeram uma ou duas viagens em 2025, 44% ficaram entre três e dez, e 15% passaram de dez.
O modal aéreo continua dominante, com 42% dos passageiros dizendo que costumam viajar em cabines premium. O trem mantém peso relevante na Ásia-Pacífico (72%) e na Europa (60%).
Para o mercado de tecnologia, dois números chamam atenção. Programas de viagem gerenciados seguem disseminados, com 65% dos respondentes dizendo que suas empresas exigem ou incentivam reservas via TMC ou ferramenta corporativa de booking online. E 68% recebem cartão corporativo, sendo que 63% desses conseguem acumular benefícios pessoais com o uso do cartão em viagens a trabalho.
O resumo executivo do BTI 2026 está disponível para download no site da GBTA. Membros da associação acessam o relatório completo pela plataforma GBTA Community+.


