IA muda o formato das reservas hoteleiras e pode favorecer fornecedores
A evolução da inteligência artificial generativa e agentic deve provocar uma mudança estrutural na forma como os viajantes encontram e

- Em debate realizado na Phocuswright Conference, especialistas apontam que a tecnologia pode reduzir a dependência das OTAs, fortalecer o contato direto entre fornecedores e viajantes e redefinir o futuro da distribuição hoteleira;
- Especialistas citam como a inteligência artificial generativa e agentic está remodelando o processo de busca e reserva de hotéis, criando novas “portas de entrada” no ecossistema digital de viagens.
A evolução da inteligência artificial generativa e agentic deve provocar uma mudança estrutural na forma como os viajantes encontram e reservam hotéis, com potencial para alterar o equilíbrio de forças na distribuição hoteleira global. O tema foi debatido durante a Phocuswright Conference, em San Diego (EUA), por executivos que acompanharam de perto a consolidação das grandes plataformas de viagens online.
Participaram da discussão Richard Holden, ex-gerente geral do Google Travel; Stephen Kaufer, fundador e ex-CEO do Tripadvisor; e Sanjay Vakil, CEO e cofundador da DirectBooker. O painel analisou como a IA está transformando o chamado “front door” das reservas de hotéis: o primeiro ponto de contato entre consumidores e fornecedores no ambiente digital.
Segundo Holden, a inteligência artificial deve reconfigurar o poder e a posição dos agregadores de viagens, criando novas oportunidades para hotéis e marcas se conectarem diretamente com os viajantes.
“Eu realmente acredito que novas portas de entrada vão ser criadas aqui. Do ponto de vista dos fornecedores, isso é uma oportunidade de mudar a dinâmica que existe há cerca de 20 anos”, afirmou.
O executivo destacou que, historicamente, os fornecedores foram superados pelas OTAs (online travel agencies) na criação e no controle dos pontos de entrada do consumidor. Com a chegada da IA, no entanto, surge uma nova chance de reaproximação direta entre hotéis e clientes, reduzindo a dependência de intermediários.
Vakil reforçou que um dos principais motores dessa mudança são as interfaces conversacionais baseadas em IA, como chatbots avançados, que concentram toda a jornada de pesquisa em um único ambiente, a exemplo de plataformas como o ChatGPT.
“O que vemos hoje no Google — e a gente costumava falar muito sobre isso — é que as pessoas visitavam cerca de 40 sites diferentes antes de finalmente reservar um hotel. Elas tinham dúvidas e precisavam que essas perguntas fossem respondidas”, disse Vakil.
“Com a interface conversacional, é possível ajudar o usuário a encontrar essas informações em um único fluxo, sem precisar se perguntar em qual aba aquela informação estava.”



