Em debate realizado na Phocuswright Conference, especialistas apontam que a tecnologia pode reduzir a dependência das OTAs, fortalecer o contato direto entre fornecedores e viajantes e redefinir o futuro da distribuição hoteleira;
Especialistas citam como a inteligência artificial generativa e agentic está remodelando o processo de busca e reserva de hotéis, criando novas “portas de entrada” no ecossistema digital de viagens.
A evolução dainteligência artificial generativa e agenticdeve provocar uma mudança estrutural na forma como os viajantes encontram e reservam hotéis, com potencial para alterar o equilíbrio de forças na distribuição hoteleira global. O tema foi debatido durante a Phocuswright Conference, em San Diego (EUA), por executivos que acompanharam de perto a consolidação das grandes plataformas de viagens online.
Segundo Holden, a inteligência artificial deve reconfigurar o poder e a posição dos agregadores de viagens, criando novas oportunidades para hotéis e marcas se conectarem diretamente com os viajantes. “Eu realmente acredito que novas portas de entrada vão ser criadas aqui. Do ponto de vista dos fornecedores, isso é uma oportunidade de mudar a dinâmica que existe há cerca de 20 anos”, afirmou.
O executivo destacou que, historicamente, os fornecedores foram superados pelas OTAs (online travel agencies) na criação e no controle dos pontos de entrada do consumidor. Com a chegada da IA, no entanto, surge uma nova chance de reaproximação direta entre hotéis e clientes, reduzindo a dependência de intermediários.
Vakil reforçou que um dos principais motores dessa mudança são as interfaces conversacionais baseadas em IA, como chatbots avançados, que concentram toda a jornada de pesquisa em um único ambiente, a exemplo de plataformas como o ChatGPT.
“O que vemos hoje no Google — e a gente costumava falar muito sobre isso — é que as pessoas visitavam cerca de 40 sites diferentes antes de finalmente reservar um hotel. Elas tinham dúvidas e precisavam que essas perguntas fossem respondidas”, disse Vakil.
“Com a interface conversacional, é possível ajudar o usuário a encontrar essas informações em um único fluxo, sem precisar se perguntar em qual aba aquela informação estava.”
“Os intermediários trabalharam muito para criar um grande conjunto de dados que é eficiente para navegar e encontrar informações, mas esse conteúdo é bastante superficial”, afirmou.
Apesar do cenário promissor para fornecedores, Kaufer fez um alerta sobre a dificuldade de deslocar o poder de agregação das OTAs, especialmente porque muitas dessas empresas já estão integrando IA às suas operações.
“Eles são naturalmente os primeiros a entrar, mas a questão é: existe, especialmente no caso da DirectBooker, a capacidade de entregar aos motores de IA exatamente o que eles querem? Ou seja, a melhor disponibilidade instantânea, inventário, todas as informações adicionais e talvez tarifas extras que as OTAs não oferecem”, disse Kaufer.
Além do impacto da IA na distribuição hoteleira, a conversa também abordou temas como financiamento de startups, experiências anteriores dos executivos, o risco de uma bolha de inteligência artificial e os próximos desdobramentos da tecnologia no setor de viagens.
O debate completo foi moderado por Chris Hemmeter, da Thayer Investment Partners, e está disponível emvídeo.
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