Travel Tech Hub

O que significa ser ‘AI-native’ no turismo, e por que nem todas as empresas conseguem chegar lá

“AI-native” ganha força como conceito no turismo, mas ainda carece de definição clara. Empresas como Sabre, Airbnb e Riyadh Air adotam o termo em suas estratégias; especialistas apontam que o conceito ainda é mais discurso de marketing do que prática consolidada. Infraestrutura de dados e mudanças profundas nos sistemas são essenciais para se tornar “AI-native”. Startups saem na frente, mas empresas tradicionais ainda têm vantagem competitiva

·3 min de leitura
Foto: Freepik
Foto: Freepik

Com a inteligência artificial no centro das estratégias do setor, o termo “AI-native” se tornou uma das principais tendências no ecossistema de tecnologia de viagens. No entanto, especialistas alertam que o conceito ainda é amplamente interpretado e, muitas vezes, usado mais como marketing do que como realidade operacional.

Empresas como Sabre, Airbnb e Riyadh Air já utilizam o termo para descrever iniciativas recentes. Enquanto a Sabre promove uma reformulação completa de sua infraestrutura tecnológica, o Airbnb aposta em experiências baseadas em IA, e a Riyadh Air se posiciona como uma companhia aérea construída desde o início com foco em inteligência artificial.

Apesar disso, o mercado ainda busca uma definição clara.“Isso me lembra a primeira era das empresas ponto com, quando todos achavam que ser uma empresa de ‘internet’ significava apenas ter ‘.com’ no final do nome”, disse Cara Whitehill, venture partner da Thayer Investment Partners,em entrevista ao Phocus Wire.

O que define uma empresa AI-native

Para especialistas, ser AI-native vai muito além de incorporar ferramentas como chatbots. Trata-se de reconstruir processos, sistemas e operações com base em inteligência artificial desde o início.

Mike Coletta, da Phocuswright, define empresas AI-native como aquelas “projetadas desde o início com uso de IA para tudo, desde o desenvolvimento de tecnologia até marketing, atendimento ao cliente e automação de processos de negócio”.

Ainda assim, transformar esse conceito em prática exige investimentos e decisões estratégicas complexas.

“É preciso uma liderança genuína e ousada para tomar decisões difíceis, fazer sacrifícios e investir agora para colher benefícios no futuro”, afirmou Coletta.

Dados da própria Phocuswright mostram um descompasso: embora 28% dos executivos considerem a IA generativa prioridade, apenas 13% destinam uma parcela significativa do orçamento para sua implementação, o que levanta preocupações sobre a real adoção da tecnologia.

Empresas tradicionais vs. startups

A jornada para se tornar AI-native varia conforme o estágio da empresa. Companhias tradicionais, como a Sabre, enfrentam o desafio de modernizar sistemas legados. A empresa afirmou recentemente que sua transformação tecnológica “libertou” suas operações, permitindo inovação mais ágil.

“Ao unificar nossa arquitetura, fortalecer nossa camada de dados e incorporar governança por meio da nossa camada de garantia IQ, criamos um ambiente onde a inovação pode acontecer mais rapidamente e com confiança”, disse Garry Wiseman, presidente de produto e engenharia da Sabre.

Já empresas mais recentes conseguem avançar com maior velocidade. Startups e novos players, como a Riyadh Air, nascem sem a necessidade de lidar com sistemas antigos, o que facilita a adoção de IA desde o início.

Experiência personalizada e vantagem competitiva

No caso do Airbnb, a aposta está na personalização. A empresa trabalha em uma reformulação profunda baseada em IA para transformar a experiência do usuário.

“Estamos construindo uma experiência AI-native em que o aplicativo não apenas busca por você”, afirmou Brian Chesky, cofundador e CEO da Airbnb.

Para especialistas, o verdadeiro diferencial não está apenas na adoção da tecnologia, mas em como ela é aplicada.

“O básico ainda importa: identificar o problema, construir a solução e colocá-la nas mãos dos usuários”, disse Nikita Miller, CPO da Perk. “A IA nos permite fazer isso de forma mais rápida e eficiente do que nunca.”

Sem atalhos para se tornar AI-native

Apesar do entusiasmo, há consenso de que não existe solução rápida para se tornar AI-native. O processo exige infraestrutura robusta de dados, integração de sistemas e mudança cultural dentro das empresas.

“Se você não estiver planejando ativamente, testando e aprendendo como usar IA em todo o seu negócio, não será competitivo no mercado”, alertou Whitehill.

No fim, mais do que um rótulo, o conceito representa uma transformação estrutural. E, no setor de turismo, quem conseguir implementar a IA de forma estratégica pode conquistar uma vantagem competitiva significativa nos próximos anos.

Compartilhe

Usamos cookies para análise de uso e publicidade. Saiba mais na nossa Política de Privacidade.