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IA no turismo: CTO da Blis AI analisa como a tecnologia já atua nos bastidores da jornada do viajante

Luiz Felipe Antunes, CTO da Blis AI, explica como a inteligência artificial no turismo opera além dos roteiros e transforma operações de agências.

·3 min de leitura
Luiz Felipe Antunes, CTO da Blis AI
Luiz Felipe Antunes, CTO da Blis AI

Luiz Felipe Antunes, CTO da Blis AI, explica como a inteligência artificial no turismo opera além dos roteiros e transforma operações de agências.

Confira o artigo na íntegra:

É comum associar a inteligência artificial no turismo a sugestões de roteiros ou dicas de destinos. Mas essa é apenas a superfície de uma transformação muito mais profunda. Hoje, a IA já atua nos bastidores de praticamente toda a jornada do viajante, acompanhando desde o momento da inspiração até o pós-venda, sempre mediada pelas agências de viagem, que seguem sendo o principal elo entre tecnologia e consumidor final.

Esse movimento não é pontual. O setor de turismo passa por uma mudança estrutural, impulsionada pela necessidade de tornar jornadas complexas mais rápidas e eficientes. Segundo relatório da IndustryArc, o mercado de inteligência artificial aplicada ao turismo deve ultrapassar US$ 1,2 bilhão até 2026.

Tal crescimento reflete uma demanda clara: lidar melhor com volume, personalização e, principalmente, com a complexidade operacional que existe por trás de cada viagem.

Quando integrada às operações das agências, a inteligência artificial entende o contexto, intenção e urgência de cada viajante. Seu papel é sustentar a experiência do turismo e manter uma conversa contínua e assertiva ao longo do tempo. 

Por trás dessa fluidez existe uma arquitetura robusta, ainda que invisível para o cliente final. A base são modelos de linguagem de grande escala, os LLMs (Large Language Models) como o Chat GPT, ajustados especificamente para a vertical de turismo, o que garante vocabulário, lógica e decisões alinhadas à realidade do setor. Esses modelos são combinados a uma camada de orquestração de ferramentas, o chamado tool calling, que permite aos agentes decidirem quando e como acionar sistemas externos.

Por meio de integrações via interfaces de aplicações (Application Programming Interfaces, ou APIs), a inteligência artificial se conecta a sistemas de emissão e plataformas de backoffice já utilizadas pelas agências. Tudo isso é sustentado por uma memória persistente, capaz de armazenar histórico, preferências e interações anteriores, garantindo continuidade e personalização ao longo da jornada.

O impacto desse modelo é direto na operação das agências e das companhias aéreas. Centralizar a interação em um único canal conversacional reduz fricção cognitiva, diminui o abandono de jornada e melhora a taxa de conversão.

Suporte em toda a jornada do cliente
Se há um ponto da jornada que exige atenção especial, ele é o pós-venda. Não por acaso, é também onde se concentram os maiores ganhos em lealdade e satisfação. É nesse momento que surgem situações de maior impacto emocional. Automatizar essa camada com IA transacional gera impacto direto tanto na margem das operações quanto na experiência do cliente.

Fato é que barreiras ainda existem, inclusive nas regras das agências. Muitas operadoras ainda tratam a inteligência artificial como experimento, subestimando seu impacto operacional ou complexidade da integração. Porém, quando a solução é escalável e pensada como ‘plug and play’ a implementação tende a ser muito mais simples do que se imagina.

No fim, a inteligência artificial no turismo redefine o custo de aquisição de clientes e transforma a interface conversacional em infraestrutura de distribuição e monetização.

Luiz Felipe Antunes é cofundador e CTO da Blis AI . Com formação em Engenharia de Software e Administração de Empresas, o executivo é aluno do programa de Empreendedorismo da Stanford Graduate School of Business e possui sólida atuação no desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial e automação de sistemas complexos.

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