Companhias aéreas ampliam o uso de IA agêntica para ganhar eficiência operacional
Companhias aéreas apostam em IA agêntica para automatizar processos, melhorar a eficiência operacional e transformar a gestão de voos.

As companhias aéreas estão ampliando os testes com inteligência artificial agêntica (IA agêntica) para automatizar processos e aumentar a eficiência operacional. A tecnologia, capaz de executar tarefas de forma mais autônoma, já começa a ser aplicada em áreas que vão desde a programação de sistemas até a gestão de voos com excesso de reservas, conforme destacado em reportagem da Travel Weekly.
Um dos exemplos é a Southwest Airlines, que está desenvolvendo um novo sistema para substituir um software legado de gerenciamento de tripulações. A companhia utiliza IA agêntica para acelerar a construção e os testes da nova plataforma.
O movimento ganhou relevância após o colapso operacional enfrentado pela companhia durante a temporada de festas de fim de ano de 2022. Na ocasião, o software desatualizado de escalas de tripulação foi apontado como um dos fatores que contribuíram para a crise.
A Southwest não está sozinha. Outras companhias aéreas também começaram a experimentar aplicações de IA agêntica, enquanto empresas de tecnologia para viagens ampliam o desenvolvimento de soluções voltadas ao setor.
Segundo a Amadeus, a tecnologia tem potencial para ir muito além da capacidade de executar reservas e alterações de itinerários de forma autônoma. A empresa trabalha no desenvolvimento e na avaliação de diferentes aplicações de IA agêntica para suas plataformas de reservas e de varejo aéreo.
Entre as possibilidades estão o uso de equipes de agentes de IA para desenvolvimento de redes, marketing, melhoria do tempo de solo das aeronaves e gerenciamento de disrupções operacionais. A construção de softwares também aparece como uma das principais oportunidades.
Para Ghaleb Rostom, vice-presidente sênior de gerenciamento de produtos para companhias aéreas da Amadeus, os agentes de IA podem ajudar a superar os silos que tradicionalmente existem entre diferentes departamentos das empresas aéreas.
Um exemplo seria identificar rotas com desempenho abaixo do esperado e, a partir dessa informação, desenvolver campanhas publicitárias específicas. Dessa forma, a tecnologia conectaria as áreas de planejamento de rotas e marketing.
Alaska Airlines testa IA para gestão da demanda
Apesar do potencial, a adoção pelas companhias aéreas ainda ocorre de maneira cautelosa, à medida que a tecnologia evolui.
A Alaska Airlines está entre as empresas que já iniciaram a implementação. A companhia é parceira de lançamento da plataforma de IA agêntica Vector, desenvolvida pela Volantio, empresa especializada em ajudar companhias aéreas a realocar demanda e maximizar receitas após a reserva.
Uma das principais funções da Vector é auxiliar as empresas a administrar voos com excesso de reservas antes mesmo da chegada dos passageiros ao aeroporto, explicou Azim Barodawala, CEO da Volantio.
A ferramenta também pode incentivar passageiros a trocar voos em horários de pico por opções fora dos períodos mais movimentados. A estratégia permite que as companhias tentem vender posteriormente os assentos liberados nos horários de maior demanda por tarifas mais altas.
Com a plataforma, agentes de IA podem identificar voos com excesso de reservas e entrar proativamente em contato com passageiros, oferecendo compensações para que alterem seus voos.
Os agentes também podem receber instruções específicas, como evitar ofertas para passageiros em conexão cujos itinerários poderiam ser prejudicados pela mudança.
Outra possibilidade é monitorar potenciais problemas operacionais. Um exemplo são voos realizados durante o verão em Denver, quando a combinação de altitude e altas temperaturas pode dificultar a decolagem e levar a restrições de carga.
A Volantio já oferecia funcionalidades semelhantes em seu sistema anterior de inteligência artificial, mas, segundo Barodawala, a tecnologia agêntica permite executar essas tarefas com muito mais eficiência.
Entre as próximas funcionalidades previstas para a Vector está o gerenciamento de interrupções de voos.
Southwest amplia uso de agentes de IA
Na Southwest, a estratégia também envolve diferentes áreas da operação. A companhia utiliza a plataforma Kiro, da Amazon Web Services, para desenvolver sistemas baseados em IA agêntica, segundo Justin Bundick, vice-presidente de plataformas de IA e inteligência da empresa.
Uma das funções é reunir diferentes conjuntos de dados, permitindo que os analistas de business intelligence da companhia concentrem a maior parte do tempo na análise das informações, em vez de dedicar esforços à coleta e organização dos dados.
A tecnologia também chegou ao atendimento ao cliente. A Southwest tornou seu chatbot agêntico, permitindo que o sistema aprofunde as perguntas dos passageiros e busque respostas específicas em documentos com as políticas da companhia.
No longo prazo, Bundick acredita que a IA agêntica poderá gerar ganhos de eficiência capazes de impactar diretamente os resultados financeiros das companhias aéreas.
A adoção, porém, também exige mudanças internas. Para o executivo, as empresas precisam preparar seus funcionários para trabalhar adequadamente com as novas aplicações e compreender como orientar os agentes de inteligência artificial.

