“Não é um chatbot”: CTO da BRQ mostra como criar um agente de IA em cinco passos no TTH Day
CTO da BRQ mostra no TTH Day 2026 como criar um agente de IA em cinco passos, usando a plataforma gratuita Hermes.agent.

Criar um agente de inteligência artificial não precisa ser um projeto restrito a desenvolvedores. Durante o Travel Tech Hub Day 2026, realizado nesta segunda-feira (24), em São Paulo, Daniel Braz, CTO da BRQ, mostrou na prática como estruturar um agente do zero, utilizando a plataforma Hermes.agent como base para a demonstração.
A ferramenta é gratuita e foi usada pelo executivo para construir a Lia, uma guia virtual especializada em Lisboa. Braz ressaltou, porém, que o Hermes.agent é apenas uma das plataformas disponíveis para a criação de agentes de IA e que existem diversas outras ferramentas e abordagens possíveis.
A proposta da apresentação foi mostrar a diferença entre um chatbot tradicional e um agente de IA. Enquanto o chatbot responde a partir de uma interação, o agente trabalha em um ciclo: recebe um objetivo, raciocina sobre o que precisa fazer, aciona ferramentas, avalia os resultados e repete o processo até atingir um critério de parada.
No caso da Lia, o objetivo poderia ser simples: “tenho uma tarde livre em Lisboa, o que posso fazer?”. Para responder, ela precisa considerar informações como localização, horário de funcionamento dos estabelecimentos e época do ano, além de utilizar ferramentas externas para buscar dados atualizados.
“Agente é um loop. Ele tem um objetivo, uma repetição e um critério de parada”, explicou Braz durante a apresentação.
Da identidade às ferramentas
A construção da Lia, agente virtual de Lisboa, foi apresentada em cinco etapas. A primeira é definir sua identidade, reunida no arquivo chamado SOUL.md. É ali que são estabelecidos aspectos como personalidade, tom de voz e comportamento.
No caso da Lia, a definição é a de uma guia local de Lisboa, com linguagem amigável, direta e próxima à de um morador da cidade. Também entram regras de segurança para o agente, como nunca inventar endereços ou informações.
O segundo passo é definir as skills, ou habilidades que o agente deverá executar. Entre elas estão tarefas como recomendar cafés e restaurantes e verificar se determinado estabelecimento está aberto.
É nesse ponto que aparece outra distinção importante: skill e tool não são a mesma coisa. A skill define o que o agente sabe fazer; a tool é o recurso utilizado para executar aquela tarefa.
As ferramentas podem ser desenvolvidas pela própria empresa ou já existir no mercado. No exemplo apresentado por Braz, serviços externos podem ser conectados ao agente por meio de padrões como o MCP (Model Context Protocol). Em uma empresa de Turismo, também seria possível conectar o agente a sistemas internos, como portais corporativos ou bases de dados próprias.
“Se for uma ferramenta, na maioria das vezes, essa ferramenta já vai existir. Você só vai chamar ela dentro do Hermes”, explicou.
A estrutura também prevê contextos e instruções para o agente, memória para armazenar informações e mecanismos de governança e registro das ações realizadas. A lógica, segundo o CTO, é semelhante ao onboarding de um funcionário: é preciso definir quem ele é, o que precisa saber, quais são suas responsabilidades, quem é o responsável por ele e quais métricas serão utilizadas para avaliar seu desempenho.
Agentes como “colegas de trabalho”
Para Braz, a lógica dos agentes de IA vai além da automação de tarefas isoladas. Eles podem funcionar como trabalhadores digitais integrados às equipes.
“Mais fácil encaixar um colega de trabalho do que encaixar uma ferramenta”, afirmou.
O CTO citou exemplos de empresas que já utilizam agentes para atividades repetitivas de backoffice, como processamento de notas fiscais, emissão de cobranças e pagamentos. No turismo, a mesma lógica poderia ser aplicada a processos internos e operações que dependem de sistemas e ferramentas conectadas.
Segundo ele, um dos critérios para identificar oportunidades está justamente na repetição. “Todo o trabalho que é repetitivo é passível de ser feito por um agente”, disse.
Supervisão contínua é necessária
Apesar da autonomia, os agentes de IA não funcionam sem supervisão. Um prompt pode estar errado, uma ferramenta pode falhar ou um sistema externo pode ficar indisponível.
“Você precisa aí de uma supervisão. Essa supervisão pode ser uma pessoa ou pode ser um outro agente”, explicou Braz.
A governança de agentes também ajuda a identificar quando o sistema não está funcionando como deveria. Entre os indicadores possíveis está a necessidade de o usuário fazer muitos ajustes ou correções durante uma interação, o que pode sinalizar que a configuração ou as habilidades do agente precisam ser aprimoradas.
Para o CTO, entretanto, a expansão dos agentes não significa necessariamente a substituição das equipes humanas. A tendência, segundo ele, é de profissionais trabalhando com múltiplos agentes e ampliando sua capacidade de produção.
“Eu acho que nós estamos ganhando capacidades. As equipes estão se alavancando em cima dos agentes”, afirmou.
A apresentação no TTH Day 2026 teve justamente esse objetivo: tirar o tema do campo abstrato e mostrar que a tecnologia pode ser experimentada na prática. Segundo Braz, a ideia era provocar o público a chegar em casa, baixar o Hermes.agent e começar a criar seus próprios agentes.
O executivo reforçou que a plataforma utilizada na demonstração é gratuita, mas não é a única alternativa disponível. O mercado já conta com diferentes ferramentas para desenvolver e implementar agentes de IA, permitindo que empresas escolham a solução mais adequada às suas necessidades.



