IA faz relação look-to-book disparar e desafia infraestrutura do setor de viagens
Uso de IA faz relação look-to-book disparar, aumenta custos de distribuição e desafia a infraestrutura de reservas da indústria aérea.

O avanço da inteligência artificial (IA) está transformando a forma como os viajantes pesquisam voos e, ao mesmo tempo, criando um novo desafio para a indústria de viagens: a explosão da relação look-to-book (L2B), indicador que mede o número de buscas realizadas para cada reserva efetivamente concluída.
Um levantamento divulgado pela empresa de análise de dados da aviação OAG aponta que a relação L2B está em uma trajetória de crescimento de 10 vezes, tendência que deve continuar nos próximos anos à medida que ferramentas de IA generativa e IA agêntica passam a desempenhar um papel central no planejamento das viagens.
"Nos primeiros anos das reservas online, as companhias aéreas processavam cerca de 100 a 200 buscas para gerar a venda de uma passagem", publicou a OAG no LinkedIn.
"Hoje, esse número está mais próximo de 10 mil a 20 mil buscas. E, à medida que a IA agêntica começa a transformar o planejamento de viagens, projetamos que o próximo patamar será de cerca de 200 mil buscas por reserva (ou até mais)."
Segundo a empresa, esse cenário levanta uma questão importante para o setor: a infraestrutura tecnológica das viagens conseguirá acompanhar o aumento da demanda gerada pela inteligência artificial?
Mais consultas, maior custo operacional
A mudança ocorre em um momento em que modelos de IA consultam conteúdos disponíveis na internet sem que o usuário necessariamente acesse as páginas originais. Como consequência, cresce o chamado "tráfego de máquinas por resultado humano", elevando significativamente os custos de processamento para companhias aéreas e empresas de distribuição.
De acordo com Jeremy Burke, Chief Corporate Development Officer da OAG, o fenômeno representa uma ameaça à infraestrutura responsável pela precificação das passagens, já que as tarifas aéreas são dinâmicas e sofrem alterações constantes.
"Look-to-book importa porque toda vez que alguém faz uma busca, isso gera um custo. Quando isso sai do controle, você não quer que o custo para responder a uma consulta seja de US$ 200, enquanto a passagem custa US$ 100", afirmou Filip Filipov, CEO da OAG, em entrevista ao PhocusWire.
Cache e preços indicativos podem reduzir impacto
Para enfrentar esse desafio, Filipov acredita que será necessário repensar a forma como as buscas são realizadas.
"Talvez toda a experiência mude. Talvez sempre comecemos com preços indicativos", disse.
Segundo o executivo, ampliar o uso de tecnologias de cache, capazes de armazenar resultados de consultas recentes, também pode reduzir o processamento de buscas repetidas realizadas em curto intervalo de tempo.



