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Creators como canal de vendas: a aposta da Eluvi em dados e IA para o turismo

Eluvi capta R$ 2,5 milhões para transformar creators em canal de vendas no turismo, usando dados e inteligência artificial para escalar parcerias.

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Rachel Spencer, cofundadora da Eluvi. Foto: Divulgação
Rachel Spencer, cofundadora da Eluvi. Foto: Divulgação

A traveltech brasileira Eluvi anunciou a captação de R$ 2,5 milhões com o objetivo de escalar sua plataforma e consolidar o movimento de transformar criadores de conteúdo em um canal estruturado de aquisição, e não apenas de visibilidade.

A profissionalização da creator economy no turismo segue em expansão. Com mais de 40 mil pedidos de parceria registrados, cerca de 160 clientes ativos e quase 20 mil creators cadastrados, a startup aposta em dados e inteligência artificial para substituir práticas ainda comuns no mercado, marcadas por informalidade e baixa escala.

“Não faz sentido imaginar milhões de creators negociando parcerias via WhatsApp. A plataforma organiza esse processo e permite que ele aconteça em escala”, afirma Rachel Spencer, cofundadora da Eluvi.

A ideia da Eluvi nasceu da experiência prática dos próprios fundadores como criadores de conteúdo. Após uma década viajando pelo mundo e produzindo conteúdo, Rachel e Leo Spencer vivenciaram de perto os gargalos da relação entre creators e empresas de turismo.

O problema, segundo ela, não era apenas operacional, mas estrutural. "Quando a gente ia ao destino, tinha que mandar e-mail para os hotéis, para as agências, para o próprio destino para tentar fazer parcerias. Muitas vezes eu ia cair na recepção, na central de reservas e esse processo acabava sendo muito informal, muito amador.”

A proposta da Eluvi, então, foi organizar esse ecossistema em uma plataforma SaaS B2B para turismo, capaz de centralizar, escalar e mensurar parcerias com creators com base em dados.

Mais do que organizar demandas, a startup vem trabalhando para reposicionar o papel dos criadores dentro do marketing de turismo.

“O creator passa a ser tratado realmente como canal de aquisição e não mais só como a web”, afirma Rachel.

Esse movimento é sustentado por uma característica-chave do conteúdo digital: sua longevidade e capacidade de gerar resultados ao longo do tempo.

“Hoje, um creator pode ter feito uma parceria com um hotel em Campos do Jordão em outubro e ainda estar gerando vendas agora. Isso acontece porque alguém pode pesquisar o destino no TikTok, encontrar esse conteúdo e, ao clicar no link divulgado, gerar uma reserva para o hotel.”

Na prática, isso significa não apenas ampliar o alcance das marcas, mas também reduzir custos de aquisição e aumentar a conversão em canais diretos.

O papel dos dados e da inteligência artificial

Com a base acumulada de dezenas de milhares de interações, a Eluvi agora avança para uma nova fase: o uso de inteligência artificial no turismo para otimizar a escolha de creators.

“Já tivemos 40 mil pedidos de parceria na plataforma, então a gente vai começar a trabalhar agora no modelo preditivo”, explica Rachel.

A proposta é sair da subjetividade — ainda comum no setor — e trazer mais assertividade para as decisões, conforme explica a cofundadora da Eluvi.

“Passa de ser aquele achismo, de ‘eu gosto dessa pessoa’, e cai numa escolha baseada em dados.”

Esse movimento também abre espaço para o desenvolvimento de um sistema de matchmaking entre creators e marcas, capaz de cruzar histórico de campanhas, perfis de creators e resultados gerados para recomendar parcerias com maior potencial de performance.

Um dos principais aprendizados da plataforma desafia uma ideia ainda dominante no setor: a de que apenas creators de viagem são relevantes para empresas de turismo.

A diversificação de perfis, incluindo creators de gastronomia, lifestyle, arquitetura e wellness, amplia o potencial de alcance e conexão com diferentes públicos. “No fim, todos os públicos são públicos que potencialmente viajam", afirma Rachel.

O que vem pela frente

Com o novo aporte, a Eluvi pretende fortalecer o desenvolvimento do produto, expandir a base de clientes e avançar na construção do modelo de inteligência artificial.

“Essa captação vem para a gente escalar o business, consolidar o produto e desenvolver funcionalidades para realmente consolidar o creator como canal de aquisição para a indústria do turismo.”

A estratégia de expansão internacional, por sua vez, deve seguir de forma gradual, priorizando mercados com forte fluxo de turistas brasileiros, como Estados Unidos, México, Portugal e Espanha.

“Como os nossos creators hoje, 90% deles estão no Brasil, uma expansão natural são países que têm demanda por turistas brasileiros.”

Para a executiva, o futuro aponta para um cenário em que criadores estarão cada vez mais integrados às estratégias de aquisição das empresas, de forma automatizada, mensurável e escalável.

“A influência é uma commodity”, afirma Rachel.

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