Pousadas podem perder até R$ 47,9 mil por ano com comissões das OTAs
Taxas chegam a 30% por reserva, segundo dados do FOHB
Reservas diretas têm ticket médio maior no mercado global
Venda direta pode gerar economia anual de até R$ 14,3 mil
A dependência das OTAs (Online Travel Agencies) tem gerado impactos financeiros relevantes para hotéis e pousadas no Brasil, especialmente entre pequenos e médios empreendimentos. Uma análise baseada em dados do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) mostra que as comissões cobradas por essas plataformas podem consumir até 30% do valor de cada reserva, reduzindo significativamente a margem de lucro anual.
A busca por visibilidade digital levou muitos estabelecimentos independentes a concentrarem grande parte de suas vendas em OTAs. Embora esse modelo ajude a manter a ocupação, ele também retarda o desenvolvimento de canais próprios, como sites com motor de reservas e sistemas integrados de gestão.
Enquanto no mercado internacional cresce a preferência pelasreservas diretas nos sites oficiais, muitos hotéis e pousadas brasileiros ainda não contam com infraestrutura tecnológica capaz de converter esse interesse em vendas. A ausência de sistemas completos de gestão hoteleira dificulta a integração de canais, o controle de disponibilidade em tempo real e a redução da dependência de intermediários.
Com margens pressionadas e estruturas enxutas, a venda direta tornou-se estratégica para a sustentabilidade do setor. No entanto, ao recorrerem às OTAs como solução imediata para ocupação, muitos empreendimentos acabam adiando investimentos em tecnologia e autonomia comercial.
O desempenho reflete estadias mais longas, maior demanda por categorias superiores e a inclusão de serviços adicionais, fatores que ampliam a rentabilidade do canal próprio. Navegação simplificada, meios de pagamento estáveis, ambiente seguro e integração com metabuscadores também contribuíram para fortalecer a confiança do consumidor.
O impacto financeiro das comissões das OTAs
Com base no relatório Hotelaria em Números – Brasil 2024, do FOHB, é possível estimar o peso das comissões no faturamento anual. A receita líquida média de hotéis e pousadas gira em torno de R$ 159,8 mil por ano, considerando ocupação média de 60% e RevPAR de R$ 310.
As comissões das OTAs variam entre 15% e 30% por reserva, dependendo do contrato e do nível de visibilidade contratado. Quando um empreendimento concentra 100% das vendas nessas plataformas, operando na taxa máxima, o custo anual pode chegar a R$ 47,9 mil, valor que deixa de ser reinvestido em manutenção, modernização ou marketing.
Mesmo a migração parcial já gera impacto. Se 30% das reservas feitas via OTAs passarem para um motor de reservas direto, a economia anual com comissões pode alcançar R$ 14,3 mil, reforçando o caixa do negócio.
Barreiras tecnológicas que dificultam a venda direta
Apesar do potencial financeiro, a venda direta ainda enfrenta entraves estruturais que limitam a conversão.
Sites lentos e pouco responsivos, especialmente no celular, afastam o hóspede nos primeiros segundos de navegação. A baixa integração com Google e redes sociais reduz a visibilidade do site oficial, enquanto a falta de sincronização de disponibilidade aumenta o receio de overbooking.
Além disso, processos manuais e meios de pagamento limitados prolongam a finalização da reserva e elevam as desistências, sobretudo fora do horário comercial.
Como a tecnologia pode impulsionar as reservas diretas
Esse movimento pode gerar crescimento de até 40% na receita das reservas diretas, sem necessidade de aumentar o tráfego. Cada venda passa a reter integralmente o valor, eliminando perdas com comissões entre 15% e 30%.
Medição agregada e anônima de audiência é feita por legítimo interesse (LGPD art. 7º IX). Para personalização e publicidade direcionada, precisamos da sua autorização. Mais detalhes na Política de Privacidade.