Pulseiras RFID, apps e arena games: o aparato tecnológico que torna a Forma líder em viagens de formatura
Forma Turismo aposta em RFID, apps, inteligência artificial e arena games para garantir segurança, inovação e experiências em viagens de formatura.

Qual é a receita para coordenar a maior operação de viagens de formatura do Brasil? Embora a experiência acumulada ao longo de quase três décadas seja parte da resposta, tecnologia, inovação e uma boa dose de ousadia são requisitos essenciais para tornar a Forma Turismo líder mundial neste segmento.
Por trás dos shows, festas e da experiência vivida pelos estudantes existe uma operação de grandes proporções. Da gestão dos embarques ao controle de acesso aos eventos, passando pela comunicação com passageiros, monitoramento de segurança e logística, a tecnologia desempenha um papel cada vez mais importante para garantir que milhares de adolescentes aproveitem a viagem com segurança e sem abrir mão da diversão.
Essa história começou em 1998, quando a Forma Turismo passou a levar estudantes para Porto Seguro. Desde então, a cidade baiana se consolidou como palco de um quase "spring break brasileiro", recebendo gerações de jovens em viagens de formatura que se tornaram um rito de passagem há décadas.
Em 2026, mais de 30 mil estudantes viajaram com a Forma entre o fim de junho e julho, período em que acontece um festival com mais de 90 atrações e uma estrutura comparável à de grandes eventos de música, como Rock in Rio e Lollapalooza.
Durante o pico da operação, mais de 4.500 estudantes desembarcam diariamente em Porto Seguro. Segundo a empresa, quatro em cada dez voos que chegaram ao destino nesse período transportavam passageiros da Forma Turismo. A operação também movimentou aproximadamente 3 mil empregos diretos e indiretos e gerou impacto econômico superior a R$ 110 milhões para a cidade.

Os estudantes chegam de cerca de 450 cidades brasileiras e se hospedam em hotéis exclusivos da Forma Turismo em Porto Seguro. Para coordenar essa estrutura, a empresa mobiliza um staff de aproximadamente 2 mil profissionais durante a operação.
Nos bastidores, porém, há outro protagonista que faz toda a diferença: a tecnologia, presente desde muito antes do embarque até o último dia da viagem.
Tecnologia que cabe no pulso: o papel do RFID na operação da Forma
Um dos principais pilares dessa operação é o Forma Smart Pass, sistema de pulseiras com tecnologia RFID (identificação por radiofrequência) desenvolvido pela própria empresa. Mais do que um mecanismo de controle de acesso, a solução concentra informações que ajudam a reforçar a segurança dos estudantes e agilizar a gestão da viagem.
A tecnologia permite controlar a entrada e saída de passageiros em hotéis, beach clubs, festas e demais atividades da programação, substituindo processos manuais e reduzindo o tempo de verificação. Além disso, a pulseira reúne informações cadastrais e dados médicos dos estudantes, que podem ser acessados instantaneamente pela equipe em situações de emergência.
Segundo Gustavo Bueno, diretor de marketing da Forma Turismo, a tecnologia acompanha a empresa desde os primeiros anos da operação e evoluiu conforme o crescimento da companhia.
"A tecnologia está na origem da Forma desde muito cedo: já em 2001 criamos o que foi o primeiro sistema de controle por pulseiras codificadas e palmtop do mundo, pensado para dar segurança a uma operação que já nascia em grande escala. Ao longo dos anos, essa base evoluiu para o Forma Smart Pass (hoje com RFID) e para o Forma App, lançado em 2018 como canal de vendas e hoje central na relação com passageiros e responsáveis - inclusive durante a pandemia, quando 100% das vendas passaram a ser feitas pelo aplicativo."
Sobre o surgimento do Smart Pass, Bueno explica que a solução foi criada para garantir mais segurança em uma operação que reúne milhares de estudantes simultaneamente.
"A necessidade era clara: reunir milhares de formandos da mesma faixa etária em um perímetro de Porto Seguro e garantir que só passageiros da viagem tivessem acesso a hotéis, beach clubs e festas, sem depender de listas em papel ou verificação manual em cada entrada. A pulseira resolve, ao mesmo tempo, um problema de segurança/acesso (quem pode entrar em cada espaço) e um problema de resposta rápida em emergências: ao escanear o código, o smartphone do monitor traz na hora os dados cadastrais e de saúde do passageiro, como alergias, medicações e histórico médico, o que é essencial num primeiro atendimento."
Atualmente, o sistema registra entradas e saídas dos estudantes nas atividades programadas, sem realizar rastreamento contínuo da localização.

"Cada leitura mostra quem foi e quem ainda precisa retornar; quando alguém não passa o chip na volta, isso gera um alerta silencioso e a equipe vai verificar o quarto."
Segundo o executivo, novas camadas de acompanhamento estão em desenvolvimento. "Um acompanhamento mais frequente da movimentação dentro do território é o próximo passo em desenvolvimento, como uma camada extra de segurança sobre a estrutura que já existe hoje."
Forma App: o canal digital que conecta passageiros e responsáveis
Além do Forma Smart Pass, a empresa também utiliza o Forma App como um dos principais canais de relacionamento com passageiros e responsáveis. A plataforma concentra a compra da viagem, informações de embarque e desembarque e o cadastro de dados importantes para a operação.
"O Forma App é, na prática, o canal de compra da viagem: é nele que o passageiro adquire o pacote principal, o pacote de festas e os opcionais, além de acompanhar o e-voucher de embarque/desembarque e avisos essenciais. É pelo login do responsável no Forma App - e só por ele - que a ficha de saúde do passageiro é cadastrada (alergias, doenças pré-existentes, medicações). Esse é um dado sensível, e seu acesso é restrito: fica associado à pulseira e disponível apenas para uso interno das equipes de monitoria e saúde no momento do atendimento."
A companhia também já avalia novas aplicações tecnológicas para ampliar a segurança operacional.
"Hoje o sistema é baseado em leitura de eventos (entrada/saída) e alertas quando um padrão esperado não se confirma, como no caso hipotético de um passageiro que não retorna a um espaço. Já usamos inteligência artificial de forma bastante presente, mas principalmente internamente, no trabalho de estruturação da operação e apoio às equipes, ainda não diretamente na relação com o passageiro para esse tipo de antecipação. Uma frente que já está em estudo é o reconhecimento facial, como mais uma ferramenta de segurança dentro do Território Forma, somando-se ao que já existe hoje."
Forma Music Park: entretenimento, games e experiências para a Geração Z

Além da tecnologia aplicada à segurança e à gestão operacional, a Forma Turismo também investe em inovação para transformar a experiência dos estudantes durante a viagem. Um dos principais exemplos é o Forma Music Park, uma arena de entretenimento a céu aberto criada exclusivamente para os passageiros da empresa em Porto Seguro.
Considerada uma das maiores arenas a céu aberto do Brasil, o espaço reúne música, esporte, jogos e experiências interativas em uma estrutura que vai além dos shows. O local conta com palco principal para grandes artistas, além de atrações como roda gigante, tirolesa, batalha de rimas, arena games, pista de skate e quadra de basquete 3x3.
Entre as atrações, a Arena Games foi criada para atender aos estudantes que preferem passar parte da viagem conectados aos videogames, oferecendo um espaço de competição, interação e entretenimento digital.
A iniciativa reforça a estratégia da Forma Turismo de acompanhar os hábitos da Geração Z, público que cresceu conectado à tecnologia e incorporou os games como parte da rotina de lazer e socialização.
Para Gustavo Bueno, a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta operacional e passou a fazer parte da construção da própria experiência oferecida pela empresa.
"Criamos um conselho que se reúne periodicamente para acompanhar tendências e hábitos de consumo da Geração Z, além de pesquisas anuais com esse público. Hoje a tecnologia não é só suporte de bastidor: ela sustenta a própria promessa da marca, a de garantir liberdade com segurança para milhares de adolescentes ao mesmo tempo, e alimenta decisões estratégicas de expansão, novos produtos (como os parques temáticos) e entendimento do público - não apenas a operação do dia a dia."



