A inteligência artificial, as vendas agênticas e a integração tecnológica estão entre as principais transformações que começam a mudar a forma como as viagens são planejadas e realizadas na América Latina. A análise é da Decolar, travel tech do ecossistema Prosus, que reuniu cinco tendências em meio ao Dia Mundial do Turismo, celebrado em 27 de setembro.
“Viajar movimenta pessoas, mas o turismo movimenta países. Gera empregos, investimentos e negócios em diferentes mercados e conecta uma ampla cadeia de empresas e profissionais”, diz Roberto Rizo-Patrón, diretor Comercial de Produtos em Destino da Decolar.
“Na América Latina, esse ecossistema tem espaço para avançar ainda mais, e a tecnologia tem um papel importante ao aproximar viajantes, destinos e os diferentes atores que fazem parte dessa indústria.”
IA ganha espaço no planejamento de viagens
A inteligência artificial generativa começa a mudar a relação do viajante com o planejamento. Em vez de depender apenas de buscas tradicionais, o usuário pode interagir com ferramentas capazes de interpretar preferências e apresentar alternativas de forma mais contextualizada.
A Decolar utiliza essa tecnologia há mais de dois anos por meio da SOFIA, sua assistente de IA generativa. A ferramenta registra cerca de 3 milhões de conversas mensais e é utilizada por 45% dos viajantes. Segundo a empresa, sua capacidade comercial equivale atualmente à de mais de 400 lojas físicas na América Latina.
IA passa da recomendação à compra
Outra frente é o avanço da chamada IA agêntica, que amplia o papel da tecnologia de recomendar produtos para também executar etapas da jornada.
No Brasil, a Decolar realizou sua primeira venda 100% agêntica, na qual a inteligência artificial participou da concretização da compra. A tecnologia está sendo desenvolvida para avançar gradualmente para outros mercados da América Latina.
A mudança amplia a discussão sobre o uso de IA no turismo: além de recomendar destinos, hotéis e outros produtos, os agentes de inteligência artificial passam a atuar diretamente na realização da viagem.
Experiências influenciam a escolha do destino
Outro movimento identificado pela empresa é a crescente relação entre destinos e experiências. Shows, festivais, eventos esportivos e manifestações culturais passam a funcionar como gatilhos para a decisão de viajar.
Nesse cenário, o evento deixa de ser apenas uma atividade durante a viagem e pode se tornar o próprio motivo para escolher determinado destino.
Tecnologia busca conectar uma indústria fragmentada
A transformação digital também avança na integração da cadeia de viagens. Companhias aéreas, hotéis, atrações, agências e outros fornecedores possuem diferentes sistemas e processos, o que ainda pode dificultar uma experiência integrada para o viajante.
A Decolar afirma estar desenvolvendo uma infraestrutura tecnológica para conectar oferta e demanda, combinando escala, tecnologia e conhecimento dos mercados locais.
Para a empresa, a próxima etapa da transformação digital do turismo está menos na digitalização isolada de cada processo e mais na capacidade de integrar diferentes sistemas, empresas e etapas da jornada de viagem.
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