Barco voador promete reduzir viagem entre Manaus e Parintins de 10 para 3 horas
Ecranoplano da startup AeroRiver chega a 150 km/h e promete reduzir viagem entre Manaus e Parintins, além de operar nos rios durante a seca.

Uma startup de Manaus está desenvolvendo um ecranoplano adaptado às condições da Amazônia que promete reduzir de 10 para cerca de 3 horas o tempo de viagem entre Manaus e Parintins. Batizado de Voadeiro, ou Volitan, o veículo da AeroRiver foi projetado para utilizar os rios como pista de decolagem e pouso, dispensando aeroportos e outras estruturas terrestres.
Com velocidade de cruzeiro de 150 km/h, o veículo terá capacidade para transportar até 10 passageiros ou 1 tonelada de carga. Segundo a AeroRiver, a proposta considera as características da região amazônica, onde a conexão entre cidades é feita majoritariamente pelos rios.
Os primeiros testes com tripulação estão previstos para ocorrer entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. O primeiro veículo já está em estágio avançado de construção, com parte da estrutura produzida em Manaus e parte em São José dos Campos (SP). A montagem final acontece na capital amazonense.
“No final desse ano, a gente já vai estar com o nosso primeiro veículo tripulado. O nosso primeiro já está em construção, em construção avançada”, afirma o engenheiro eletricista Túlio Duarte, cofundador da AeroRiver.
Como funciona o ecranoplano
O Voadeiro utiliza o chamado efeito solo, tecnologia que permite à aeronave voar a aproximadamente 2 a 5 metros acima da superfície da água. O fenômeno ocorre quando o ar fica concentrado entre as asas e a superfície, aumentando a sustentação e reduzindo o arrasto.
Com isso, o ecranoplano pode decolar e pousar diretamente nos rios, sem a necessidade de aeroportos. O casco do veículo também foi desenvolvido especificamente para permitir a operação sobre a água.
A tecnologia é particularmente relevante para a Amazônia, segundo a empresa, devido à extensão territorial da região e à dependência dos rios para o deslocamento entre municípios. A AeroRiver afirma que o ecranoplano pode ser até 300% mais rápido que as embarcações mais rápidas atualmente utilizadas para transporte na região.
A startup também estima que o veículo seja 50% mais econômico que outras aeronaves, além de não exigir os custos de construção e manutenção de aeroportos.
Outro diferencial apontado pela AeroRiver é a possibilidade de operação durante os períodos de seca dos rios amazônicos. Segundo a empresa, o veículo foi desenvolvido para manter a operação mesmo em períodos de menor nível das águas, o que permitiria maior regularidade no transporte de passageiros e cargas ao longo do ano.
A característica busca enfrentar um dos desafios da mobilidade na região: a variação sazonal das condições dos rios. Com a proposta, a empresa pretende oferecer uma alternativa que mantenha a velocidade e a regularidade do transporte independentemente da época do ano.
Propulsão híbrida e consumo
O modelo tem propulsão híbrida, combinando um motor a combustão com motores elétricos auxiliares utilizados durante a decolagem. A empresa estima um consumo de 7 a 8 quilômetros por litro de gasolina comum, próximo ao de um automóvel.
A AeroRiver também aponta uma redução nas emissões de gás carbônico em comparação com aviões e embarcações movidos a diesel.
Além do transporte regular, o projeto prevê aplicações em cargas, atendimento médico e segurança pública, especialmente em localidades de difícil acesso na Amazônia.
A proposta é utilizar a infraestrutura natural já existente na região para criar uma nova alternativa de mobilidade, combinando características de uma embarcação com a velocidade de uma aeronave.



