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Integrar tecnologia evita corte desnecessário em viagens cruciais

Por Marcelo Linhares, CEO da Onfly

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Marcelo Linhares, CEO da Onfly. Foto: Divulgação
Marcelo Linhares, CEO da Onfly. Foto: Divulgação

As viagens corporativas são historicamente as primeiras a sofrerem cortes em momentos de incerteza econômica, mas também são as primeiras a retornarem quando os negócios ganham tração. Quem disse isso recentemente foi Scott Kirby, CEO da United, durante o GBTA Convention 2026, em Chicago.

E, para mim, vivendo o dia a dia desse mercado, essa constatação não traz nenhuma novidade. Ouvir isso de quem está do outro lado do balcão apenas reforça a minha convicção de que o deslocamento a trabalho é o principal termômetro de confiança e expansão de uma empresa.

Dados recentes da própria GBTA projetam um crescimento de 7,2% no gasto global com viagens até o fim de 2026. Porém, pela primeira vez em 18 edições, a entidade projetou que o volume real de viagens deve crescer apenas 1,3%. O diagnóstico para nós, gestores, é claro: as empresas vão gastar mais para viajar praticamente o mesmo.

Diante dessas projeções, vejo muitos executivos se perguntando como otimizar custos sem abrir mão da pessoalidade. Fechar um contrato cara a cara ou participar de congressos onde os maiores players do setor se encontram. Esse questionamento é totalmente legítimo. O erro está em recorrer à receita antiga do corte cego de despesas.

Para mim, não há o menor sentido comercial em cortar totalmente as viagens corporativas. O olho no olho e o aperto de mão continuam sendo os ativos mais valiosos do mundo dos negócios. O ponto central nunca foi o "quanto" se corta, mas a assertividade do deslocamento.

Quando temos dados integrados, saímos do discurso do "cortei 8% do orçamento" e entramos no "garanti que cada real investido tivesse o maior potencial de retorno". Se a probabilidade de fechar um acordo comercial em determinada agenda é baixa, esse investimento precisa ser redirecionado para um lead onde a chance de conversão seja maior.

A relevância do contato presencial não é romantismo corporativo, sendo respaldada por números. Segundo a Cvent, a presença física tornou-se o sinal mais raro e valioso em um mundo cada vez mais automatizado. Eventos e reuniões movimentam um mercado global de US$ 1,3 trilhão, valor superior ao PIB de quase todas as nações do planeta.

Além disso, cerca de 40% das viagens corporativas são voltadas para conferências, e acompanho de perto como os CMOs das maiores empresas dedicam até 25% de suas verbas de marketing nesses encontros.

Por outro lado, não podemos ignorar que os custos operacionais dessas agendas estão pesando. O gasto com a operação de eventos e reuniões cresceu 11,3% no último levantamento consolidado, mais do que o dobro da viagem doméstica, e já representa 40,4% de todo o orçamento corporativo gasto com viagens.

Gerenciar esse volume exige tecnologia de ponta, mas também a inteligência de um time competente de humanos. Lembro de um relato que ouvi durante um desses encontros presenciais e que me chamou muito a atenção. Para ser sincero, foi até doloroso de escutar.

O CEO de uma empresa recebeu relatórios brutos de viagens e despesas e, por não entender que as reservas já estavam consolidadas no custo total, jogou toda aquela massa de dados no ChatGPT para análise. O resultado foi uma interpretação totalmente distorcida que o levou a cobrar seus líderes com base em conclusões simplistas da IA, criando um caos desnecessário na operação.

Esse episódio deixa uma lição clara que dados sem narrativa e sem contexto de negócio não ficam neutros, eles são mal interpretados. A inteligência artificial e as novas tecnologias devem potencializar a nossa capacidade analítica, mas jamais substituir a visão e o critério humano.

O mercado exige visibilidade, controle e tomada de decisão fundamentada. Adotar ferramentas modernas, automatizar processos e integrar um conceito de tecnologia liderada por pessoas é o que mantém o mercado de viagens aquecido, garantindo a sustentabilidade do orçamento das empresas sem jamais comprometer o fator humano.

Sobre Marcelo Linhares

Marcelo Linhares é CEO e cofundador da Onfly. Possui mais de 16 anos de experiência em projetos de software, e-commerce e omnichannel. Em 2018 ele co-fundou a travel tech Onfly para revolucionar o setor de viagens e despesas corporativas e ser referência do segmento na América Latina.

Sobre a Onfly

A Onfly é a maior travel tech B2B da América Latina, com mais de 3.500 clientes que utilizam a plataforma para uma completa gestão de viagens e despesas corporativas. A companhia ajuda empresas de todos os tamanhos a melhorar seus processos de viagens com uma plataforma tecnológica exclusiva que contribui para redução de custos e transparência dos gastos, desde a despesa do café do aeroporto até passagem aérea, hotel, carro e ônibus.

Para os colaboradores, a plataforma permite que uma reserva de viagem e relatório de despesa possam ser realizados em apenas alguns minutos. Em 2023, a Onfly recebeu um investimento de R$ 80 milhões em uma rodada liderada pela Left Lane Capital e pela Cloud9 Capital. Em 2024, a empresa criou a Onfly Corporate, solução voltada para atender clientes enterprise, e no mês de abril de 2025, a travel tech anunciou a captação de R$ 240 milhões em uma rodada de investimento série B liderada pela Tidemark, fundo de venture capital do Vale do Silício que faz seu primeiro aporte na América Latina.

Além de ter tecnologia própria em sua plataforma, a travel tech é pioneira no mercado em ajudar empresas no combate a fraudes, sendo a primeira e única empresa no Brasil a implementar a funcionalidade “spend control” no segmento de viagens corporativas, permitindo que seus clientes possam configurar regras de utilização para cada cartão corporativo. A empresa foi reconhecida pela LATAM como Preferred Agency Partner 2025.

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