Google libera reservas de hotéis diretamente no AI Mode; voos ainda ficam de fora
Google libera reservas de hotéis no AI Mode e amplia recursos para voos, com rastreamento de preços e consulta de pontos e milhas.

O Google ampliou os recursos de seu AI Mode com o lançamento oficial de reservas de hotéis diretamente pela ferramenta, além de novas funcionalidades para acompanhamento de preços de voos e consulta de tarifas em pontos ou milhas. A novidade chega após um período de testes nos Estados Unidos e reúne parceiros como Alaska Airlines, American Airlines, Marriott International, Booking.com e Expedia Group.
A companhia havia apresentado, em novembro de 2025, sua proposta de reservas de viagens com agentes de IA, mas ainda não havia definido detalhes sobre o processo de compra, pagamentos e cronograma de lançamento.
“Temos investido bastante para tornar o AI Mode um excelente ambiente para encontrar ideias de destinos, visualizar opções de voos e hotéis e usar o Maps para descobrir recomendações locais”, afirmou James Byers, gerente de produto do Google Search, ao PhocusWire.

Reservas de hotéis com IA
Após meses de testes com reservas de hotéis por meio de agentes de IA nos Estados Unidos, o recurso agora está oficialmente disponível no país. A funcionalidade conta com inventário de parceiros como Expedia, Booking.com, Hilton, Hotels.com, Choice Hotels International, IHG Hotels & Resorts, Priceline, Marriott International, Wyndham Hotels & Resorts e Trip.com.
Usuários conectados à conta do Google podem fazer buscas em linguagem natural no AI Mode. A ferramenta apresenta uma seleção de hotéis que atendem aos critérios da pesquisa, incluindo avaliações de hóspedes.
“Você verá tanto links para reservar diretamente no AI Mode quanto uma lista de opções de maneiras de reservar com outros parceiros que não utilizam a reserva direta dentro do AI Mode. Portanto, nosso objetivo é mostrar resultados abrangentes e permitir que os usuários tenham essa escolha”, explicou Byers.
Quem optar pela reserva dentro do AI Mode conclui o pagamento por meio do Google Pay. Neste primeiro momento, o hotel ou a agência de viagens online (OTA) continua sendo o merchant of record, responsável também pelo atendimento ao cliente após a reserva.
Segundo Byers, esse modelo pode mudar no futuro, à medida que o Google buscar maneiras de reduzir o atrito em diferentes etapas da jornada de viagem.
“Vemos muito potencial nisso no longo prazo para ajudar com algumas dessas outras partes da jornada”, disse o executivo.
O Google também afirma que os parceiros do AI Mode receberão apenas os dados necessários para uma reserva específica. Informações sobre pesquisas anteriores ou o contexto de conversas do usuário no AI Mode não serão compartilhadas.
UCP deve ganhar espaço
A nova funcionalidade também se conecta à estratégia do Google de ampliar o uso do Universal Commerce Protocol (UCP), protocolo apresentado pela companhia em janeiro com parceiros como a Amadeus.
O recurso de reservas de hotéis, porém, ainda não depende integralmente do UCP. A primeira fase utiliza diferentes caminhos de integração, enquanto o Google trabalha para ampliar a adoção do protocolo.
“A implementação inicial é uma combinação de caminhos de integração, nos quais temos testado diferentes maneiras de colocar esses hotéis online”, afirmou Byers. “À medida que avançarmos, dependeremos do UCP como uma espécie de plataforma e protocolo comum para ampliar essa operação.”
Sem anúncios — por enquanto
Outro aspecto da nova experiência é a forma como os resultados são apresentados. De acordo com Byers, o ranking de hotéis no AI Mode não é influenciado por publicidade e segue critérios semelhantes aos utilizados na busca tradicional do Google.
“Analisamos muitos fatores — o mais importante é o que o usuário solicitou — e, então, usamos uma variedade de fatores para chegar a uma classificação das opções”, disse.
Neste momento, os resultados são orgânicos, sem posições patrocinadas ou mecanismos que permitam aos parceiros influenciar comercialmente o ranking.
Isso, no entanto, não significa que os anúncios estejam definitivamente fora dos planos.
“Estamos sempre avaliando a maneira certa de ajudar os usuários a encontrar um ótimo hotel. Às vezes, isso acontece pelo caminho orgânico. Às vezes, inclui anúncios”, afirmou Byers.
“É cedo neste momento. O que estamos realmente tentando estabelecer no AI Mode é um serviço realmente, realmente útil para os usuários. Ele também é um serviço fantástico para os parceiros, e acredito que seja uma área que vamos experimentar.”
Rastreamento de preços e pontos e milhas
Além das reservas de hotéis, o Google está expandindo os recursos de voos e programas de fidelidade dentro do AI Mode.
A ferramenta de rastreamento de preços de voos permite que usuários recebam alertas sobre mudanças de valores durante as conversas com o AI Mode, sem interromper a interação. O recurso está disponível em 180 países e territórios, mas ainda não chegou à União Europeia.
O viajante pode informar, em linguagem natural, destino e período da viagem. A ferramenta apresenta opções com preços atualizados de mais de 300 companhias aéreas e sites de viagens parceiros. Também é possível montar um itinerário dentro do AI Mode antes de concluir a compra no site do parceiro.
O Google também está incorporando informações de programas de fidelidade, permitindo consultar o custo de voos e hotéis em pontos ou milhas. Entre os parceiros estão Alaska Airlines/Hawaiian Airlines, Choice Hotels International, American Airlines, Hilton e Wyndham Hotels & Resorts.
Accor, Hyatt, LATAM Airlines, Lufthansa Group e Flying Blue estão entre as empresas previstas para serem adicionadas em breve.
A funcionalidade de consulta de pontos e milhas já está disponível globalmente.
Reservas de voos ainda não chegaram
Apesar dos avanços nas funcionalidades de viagens, o Google ainda não permite reservar voos diretamente pelo AI Mode.
A companhia havia indicado, em novembro, que trabalhava na possibilidade de realizar reservas aéreas dentro da experiência de IA. Segundo Byers, porém, o projeto ainda está em avaliação.
“Ainda estamos pensando ativamente e analisando a possibilidade de reservas de voos no futuro”, afirmou o executivo.

