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ClickBus discute futuro da IA no transporte rodoviário em evento com Neil Redding

“Descobrimos um novo tipo de fogo”. Neil Redding, futurista e especialista em inteligência artificial, começou com essa provocação sua palestra

Redação··3 min de leitura
ClickBus discute futuro da IA no transporte rodoviário em evento com Neil Redding

“Descobrimos um novo tipo de fogo”. Neil Redding, futurista e especialista em inteligência artificial, começou com essa provocação sua palestra na segunda edição do Bus Summit, evento promovido pela ClickBus que reconhece e premia as principais viações do transporte rodoviário brasileiro. Em sua apresentação, Neil Redding apresentou uma visão ousada sobre o papel da IA nos próximos anos.

Antes disso, o CEO da ClickBus, Phillip Klien, abriu o painel com uma análise sobre como a inteligência artificial já está transformando a experiência digital no transporte rodoviário. Segundo ele, o comportamento do usuário se tornou “superfragmentado”, com consumidores transitando entre apps, sites e plataformas sem seguir um fluxo linear.

Klien destacou que o desafio das empresas é garantir uma jornada fluida e confiável em meio a tantas opções. “Quem escolhe o canal é o cliente”, afirmou. Ele também reforçou que a ClickBus está investindo para se tornar “a camada de IA do rodoviário”, no B2C e no B2B, integrando dados, modelos preditivos, automações, agentes inteligentes e novas soluções de conectividade, como o recém-lançado MCP, um protocolo que permite que agentes de IA acessem o inventário do setor.

Foto: Anna Gabriela Costa

Os 5 estágios da IA: de ferramenta a parceira biológica

Em seguida, Neil Redding subiu ao palco com uma fala centrada na evolução acelerada da inteligência artificial. Para ele, a IA deixou de ser apenas uma tecnologia e está se tornando um “simbionte”: um organismo digital que opera em conjunto com humanos e sistemas.

Redding descreveu cinco estágios dessa evolução:

  1. Prompt — quando o usuário precisa acionar a IA manualmente.
  2. Participação — sistemas que interagem proativamente.
  3. Delegação — modelos capazes de assumir tarefas.
  4. Iniciativa — quando a IA passa a agir sozinha, tomando decisões e executando ações.
  5. Simbiose — o futuro em que humanos e IA operam de forma integrada, como parceiros.

Segundo ele, 2026 marcará um ponto de inflexão global na forma de interação entre pessoas e IA. “Acredito que descobrimos um novo tipo de fogo.”

Redding explicou que, com acesso a tudo o que é digital e físico em uma empresa — dados, processos, produtos, logística, ambientes de trabalho e perfis de clientes —, a IA poderá conduzir decisões estratégicas, otimizar operações e, em alguns casos, até operar negócios inteiros com mínima intervenção humana.

Esse movimento, diz ele, exige que empresas sejam ao mesmo tempo autônomas e adaptativas, capazes de reagir em tempo real a variáveis rápidas (como preços, clima, notícias e tecnologia) sem perder de vista elementos que mudam lentamente — como o bem-estar das pessoas e a integração com ecossistemas naturais.

Foto: Ann Gabriela Costa

Do ERP ao ecossistema

O futurista também defendeu que organizações precisam abandonar a lógica linear de processos e adotar o que chama de paradigma do ecossistema: modelos que consideram conexões, interdependências e ciclos naturais como parte central da estratégia.

Redding afirmou que grandes modelos de linguagem, treinados com dados humanos, caminham para evoluir em direção a sistemas inspirados em outras espécies e formas de vida, aprofundando a integração com o mundo físico.

Para ele, a verdadeira revolução da IA não está apenas em criar empresas autônomas, mas em cocriar uma nova realidade junto aos humanos: “Se todos nós nos apresentarmos e participarmos plenamente, um futuro próspero e abundante nos aguarda.”

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